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04/08/2012

Mostra a UnB e o Cinema

No ano em que a Universidade de Brasília completa 50 anos de vida, uma retrospectiva cinematográfica vai apresentar títulos que, de alguma maneira, refletem um pouco de toda esta história, protagonizada por nomes como Darcy Ribeiro, Nelson Pereira dos Santos, Heinz Forthamann e Vladimir Carvalho, dentre vários outros mestres da arte e da cultura brasileiras. É a mostra A UNB E O CINEMA, que o 45º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO acolhe, no dia 20 de setembro (quinta-feira), na Sala Alberto Nepomuceno do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Das 15h às 19h, serão exibidos cinco títulos produzidos dentro do âmbito da UnB, sempre com entrada franca. A coordenação é do professor e cineasta Marcos de Souza Mendes.

Segundo informa o coordenador, a ideia inicial era produzir uma mostra ampla, que contemplasse filmes fundadores dos anos 60, como Fala Brasília, de Nelson Pereira dos Santos, e Sara, de Paulo Tourinho, até os dos anos 70 - de consolidação cultural da UnB e da cidade -, como Vestibular 70, de Vladimir Carvalho, Brasília, Ano 10, de Geraldo Sobral Rocha, Ponto de Encontro, de Fernando Duarte, Rito Krahô, de Heinz Forthmann. Mas seria necessário um demorado e profundo trabalho de restauração de algumas cópias remanescentes e o tempo era curto. Assim, decidiu-se por um evento representativo e não tão abrangente.

"Essa pequena mostra - na verdade, uma programação mínima, pois no limite de nossas possibilidades, e com sérias limitações técnicas - é composta por alguns aspectos da história do cinema na Universidade de Brasília, estando centrada em três notáveis personagens que participaram da sua criação e desenvolvimento: Darcy Ribeiro, Heinz Forthman e Joaquim Ferreira Lima", explica Marcos de Souza Mendes.

O antropólogo, educador e romancista Darcy Ribeiro (1922-1975) foi coordenador do planejamento da UnB, diretor visionário de sua implantação. Heinz Forthmann (1915-1978), mestre de várias gerações e um dos principais nomes da fotografia e do cinema documentário brasileiro nos anos 60, foi responsável, juntamente com Luís Humberto, pelo Ateliê de Foto-documentação da UnB. Também atuou como ex-diretor do Centro de Recursos Audiovisuais (CRAV), além de ter sido autor da documentação fotográfica aérea do Campus. Joaquim Ferreira Lima (1945-2012), colaborador de Darcy Ribeiro, foi um grande técnico da vidraria científica da UnB, com inúmeros aparelhos concebidos e construídos para as pesquisas nas áreas de Química, Medicina e Agronomia.


PROGRAMAÇÃO -
O primeiro filme a ser apresentado, concebido e realizado por Darcy Ribeiro e Heinz Forthmann em 1949/50, no vale do Rio Gurupi, Maranhão, produzido pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) antecede à experiência do cinema na UnB. É Os índios Urubus - um dia na vida de uma tribo da floresta tropical, de 1949/50. Os outros dois filmes de Heinz Forthmann incluídos na Mostra - UnB: Primeira Experiência em Pré-Moldado e Rito Krahô - continuam essa ramificação original do cinema de pesquisa, que acabou por florescer no documentário universitário, de cunho cultural e etnográfico. O último filme da Mostra, O Vidreiro, remonta essa raiz da documentação da vida universitária, buscando unir o trabalho de dois mestres artistas e artesãos: Fernando Duarte, trabalhador da luz, diretor do antigo Curso de Cinema do Instituto Artes e Arquitetura, e Joaquim Ferreira Lima, também trabalhador da luz, da luz do fogo, da areia, do líquido e do tempo perpétuo. 

 

SINOPSES

Os índios Urubus - um dia na vida de uma tribo da floresta tropical
Produção: Serviço de Proteção aos Índios, SPI, 1949/50, média-metragem, 35mm, P&B.
Acervo Museu do Índio/Funai - Brasil
Fotografia, direção e montagem: Heinz Forthmann
Roteiro: Darcy Ribeiro

Documentário sobre as atividades de subsistência de uma família Kaapor, da Aldeia do capitão Piarrú, à margem esquerda do Rio Gurupi, Maranhão. A colheita e o preparo da mandioca, a fabricação detalhada de flechas e o cotidiano de Xiyra, Kosó e do filho Beren constituem a estrutura desse raro filme etnográfico.

 

Heinz Forthmann
Produção: p&b/cor, 16mm, 55min, 1985/90
Pesquisa, roteiro, produção e direção: Marcos de Souza Mendes
Fotografia e câmera: Tuker Marçal e Waldir Pina de Barros
Som: Alberto Nascimento e Silvia Alencar
Montagem: Manfredo Caldas e Francisco Sérgio Moreira
Produção: Funarte (CTAv) e Marcos de Souza Mendes

Documentário sobre a vida e a obra do grande fotógrafo e cineasta Heinz Forthmann, brasileiro por opção, realizador de vasta documentação etnográfica no Serviço de Proteção aos Índios e no Museu do Índio. Professor de Cinema e Fotografia da UnB de 1965 a 1978. O filme é constituído por documentários de arquivo, fotografias, filmes do autor e depoimentos de contemporâneos como João Domingos Lamônica, Darcy Ribeiro, Orlando Villas Bôas, Takumã Kamayurá, Luis Humberto, Vladimir Carvalho e Rosa de Arruda Förthmann.

 Apresentação: Marcos de Souza Mendes, professor de Cinema do Curso de Audiovisual, Faculdade de Comunicação, Universidade de Brasília.

 

Universidade de Brasília: primeira experiência em pré-moldado
Produção: UnB / Ceplan, 1962/1970, Brasília, 16mm, P&B, curta-metragem
Roteiro, fotografia, direção e montagem: Heinz Forthmann

Documentário sobre aspectos da construção do Instituto Central de Ciências e dos prédios em pré-moldado da UnB, concebidos pelo arquiteto João da Gama Filgueiras Lima, Lelé.

Apresentação: José Carlos Coutinho, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Brasília.

 

Rito Krahô
Brasília, 16mm, cor (reversível), 29 min, Brasília, 1971/1993
Produção: Rosa de Arruda Förthmann
Coprodução: Departamento de Comunicação e Departamento de Antropologia da UnB
Roteiro e direção: Heinz Forthmann
Fotografia e câmera: Heinz Forthmann e Carlos Augusto Ribeiro Júnior
Pesquisa: Júlio Cezar Melatti
Montagem: Francisco Sérgio Moreira e Marcos de Souza Mendes
Som: Heinz Forthmann e Júlio Cézar Melatti
Ruídos de Sala: Antônio Cézar
Mixagem: Carlos De La Riva.

Prêmio Tatu de Ouro de Melhor Filme Documentário; Prêmio Paulo Emilio Salles Gomes de Melhor Filme de Pesquisa Sociológica e Antropológica na XX Jornada Internacional de Cinema da Bahia; Prêmio Especial do Júri no13. Bilan du Film Ethnographique, Paris, França,1994.

Documentário sobre o Rito da Tora da Batata-Doce, Yótyõpi, dos índios Krahô, da Aldeia de Pedra Branca, município de Piacá, Tocantins. Esse ritual de colheita apresenta o corte dos troncos destinados à corrida de toras, o preparo de grandes bolos de mandioca e de carne, a corrida de toras disputada pelas duas partes da aldeia - Khoikatayê e Harakateyê e a grande procissão do final do rito no caminho circular da aldeia.

Apresentação: Julio Cezar Melatti, antropólogo e professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília.

 

O vidreiro
Documentário, cor, 16mm, 30min, Brasília, 1992/1997
Argumento, produção e direção: Marcos de Souza Mendes
Fotografia e câmera: Fernando Duarte e Juliano Serra Barreto
Som Direto: Acácio Campos, Alberto Nascimento e Ricardo Pinelli Montagem: Francisco Sérgio Moreira
Produção: Marcos de Souza Mendes, Funarte/Decine e CTAv.
Coprodução: Faculdade de Comunicação, Departamento de Audiovisuais e Publicidade, Curso de Cinema/Centro de Produção Cultural e Educativa, CPCE

Documentário sobre o mestre vidreiro Joaquim Ferreira Lima, antigo funcionário da Universidade de Brasília e responsável técnico, por quase trinta anos, pela Oficina de Vidraria Científica do Instituto de Química. Sua arte e técnica foram registradas durante a construção de três vidros destinados à pesquisa e a experimentos científicos - os dois primeiros, um balão e um vidro de encaixe, feitos a mão com fogo de maçarico e sopro; o terceiro, composto em torno industrial, também com sopro e maçarico.

Apresentação: Fernando Duarte, diretor de Fotografia e professor do Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília e Maria Hosana Conceição,  professora do Instituto de Química da UnB e da Faculdade UnB Ceilândia, FCE.

 

CONVIDADOS

Marcos de Souza Mendes - Documentarista e professor da UnB, na qual leciona as disciplinas Cinema Brasileiro, O Documentário Brasileiro e O Documentário Mundial. Graduou-se na mesma universidade em 1977, onde foi aluno de Heinz Forthmann e Vladimir Carvalho. Em 1981, na Universidade de Paris I/ Panthéon- Sorbonne, concluiu o Diploma de Estudos Aprofundados (DEA), em Cinematografia. É mestre em Comunicação na UnB e doutor em Multimeios na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto de Artes, no ano de 2006, sob orientação de Fernão Ramos. Roteirizou e editou Brasília Ano 35, de Waldir Pina de Barros, e dirigiu os vídeos Brasília, do Projeto ao Concreto I e II, Cinemateca: Restauração e Memória I e II e A Paixão segundo Pompeu de Sousa. É autor do roteiro, produção e direção dos filmes Seu Ramulino e O Som as Mãos e o Tempo.

José Carlos Coutinho - Formou-se em Arquitetura pela Universidade do Rio Grande do Sul em 1960 com pós-graduação na Universidade de Edimburgo, Escócia, em 1973. Foi professor de Teoria e História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de Brasília, de 1968 a 2005. Na UnB, dirigiu a FAU de 1976 a 1978 e chefe de gabinete da reitoria de 1989 a 1993. Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-DF), foi ainda membro do Conselho de Cultura do Distrito Federal, de 1990 a 1992, tendo integrado também o Conselho de Educação do Distrito Federal, de 1996 a 1998. Atuou como diretor do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico, de 2006 a 2009, em cuja gestão foram tombados, como patrimônios culturais do Distrito Federal, o Cine Brasília (patrimônio material) e o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (patrimônio imaterial). Representante de Brasília no Simpósio de Cidades Novas Patrimônio da Humanidade em Le Havre, França, em 2007. Com vários trabalhos profissionais realizados e obras publicadas nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Coutinho é detentor da Ordem do Mérito de Brasília, outorgada pelo governo do Distrito Federal, sendo ainda reconhecido por sua ativa e constante participação na vida cultural da capital.

Julio Cezar Melatti - Professor da Universidade de Brasília de 1969 a 1994, fez o curso de especialização em Antropologia Cultural no Museu Nacional (UFRJ) em 1961, tendo doutorando-se em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1970. Após se aposentar, a UnB lhe concedeu o título de Professor Emérito. Realizou ainda pesquisa etnográfica com os índios Krahô, no estado do Tocantins, e depois com os Marúbo, no sudoeste do Amazonas. Foi em um de seus períodos de pesquisa de campo que assessorou o professor Heinz Forthmann na filmagem de Rito Krahô, em abril de 1971. Sobre os Krahô, além da tese de doutorado, escreveu os livros Índios e Criadores, O Messianismo Krahó, Ritos de uma Tribo Timbira e ainda vários artigos. A respeito dos Marúbo produziu artigos, além de coordenar um volume sobre os índios da vertente oriental do rio Javari. É mais conhecido como autor do livro de divulgação Índios do Brasil, que já mereceu várias edições. Atualmente, apresenta um curso sobre índios das Américas e outro sobre mitologia indígena no seu site Página do Melatti (www.juliomelatti.pro.br), onde também republica boa parte de seus trabalhos.

Fernando Duarte - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, formou-se pelo Conservatório Nacional de Teatro (1959-1961). Integrou a equipe do jornal O Metropolitano, da União Metropolitana dos Estudantes e do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE). Um dos mais renomados diretores de fotografia do cinema brasileiro, iniciou sua carreira como aluno do grande cineasta sueco Arne Sucksdorf, na cinemateca do MAM, tendo sido assistente de câmera de Mário Carneiro no longa-metragem Porto das Caixas, de Paulo Cézar Saraceni. Participou do início do Cinema Novo como diretor de fotografia de Ganga Zumba e A Grande Cidade, de Cacá Diegues, Cabra Marcado pra Morrer, de Eduardo Coutinho e Maranhão 66, de Glauber Rocha. Fotografou o longa-metragem Vida Provisória, de Maurício Gomes Leite, rodado em Brasília em 1968, quando foi convidado a participar da reestruturação do curso de Cinema no Instituto Central de Artes, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB. Junto com Vladimir Carvalho criou, em 1970, o curso de Cinema. Demitido em 1974, retornou, anistiado, à Universidade de Brasília em 1989, exercendo as funções de diretor do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes e do Centro de Produção Cultural e Educativa (CPCE). Realizou a fotografia do vídeo Darcy Ribeiro, Doutor Honoris Causa, de Vladimir Carvalho, e dos filmes de Liloye Boubli, Ballet Bolshoi - 200 anos de história, a nova geração, Rosebud e Maracatus, Festas de Reis Negros. Trabalha, atualmente, na direção de fotografia de uma série de canal privado de televisão. Fotógrafo de grandes diretores do Cinema Brasileiro, como Paulo Cézar Saraceni, Ruy Solberg, David Neves, Helvécio Ratton, Vladimir Carvalho, Tetê Moraes, Nelson Pereira dos Santos, Fernando teve sua obra recentemente reconhecida pela publicação da Cinemateca Brasileira Fernando Duarte: um Mestre da Luz Tropical.

Maria Hosana Conceição - Coordenadora de Extensão e professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde da Universidade de Brasília, no campi Ceilândia, tem pós-doutorado em Química Ambiental pelo CSIC - Barcelona (2006), doutorado em Química Analítica pela UnB (2002), com o título de Mestre pela mesma instituição em Química Orgânica (1990) e Graduada em Química pela UNESP-Araraquara / SP (1987). Desde 2009, atua como professora na UnB, onde desenvolve pesquisa na área de análise de resíduos de agrotóxicos. Teve forte influência de Joaquim Lima em suas pesquisas, com o qual publicou o artigo intitulado "Determination of Dithiocarbamate Fungicide Residues in Food by a Spectrophotometric Method Using a Vertical Disulfide Reaction System", ocasião em que destacou a vidraria construída pelo Joaquim Vidreiro, hoje, largamente utilizada em laboratórios de Saúde Pública do Brasil e do exterior.                            

Agradecimentos: Universidade de Brasília, Faculdade de Comunicação; Centro Técnico Audiovisual - CTAv - SAV - MinC ; Museu do Índio - FUNAI; Studio 13.  

 

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A 45ª edição do FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO tem coordenação geral de Sérgio Fidalgo e coordenação adjunta de Graça Coutinho. O Patrocínio é da Petrobras, Terracap e BRB. Apoio da Lei de Incentivo à Cultura, CCBB e Câmara Legislativa do Distrito Federal. Apoio cultural: TV Brasil, Canal Brasil, Revista de Cinema ITS - Instituto Terceiro Setor, Teatro de Sobradinho e SESC/DF. Realização: Secretaria de Cultura, Governo do Distrito Federal.

 

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